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Joinville Esporte City (ou: SAFe-se quem puder!)

  • Foto do escritor: Guilherme Luiz
    Guilherme Luiz
  • 16 de jan. de 2025
  • 3 min de leitura

O assunto “SAF” tem tomado conta dos bastidores do futebol, Brasil afora, no último período. A Lei 14.193/2021, que dispõe sobre as chamadas Sociedades Anônimas do Futebol (SAF), já contava com a adesão de mais de 60 clubes pelo Brasil até o final de 2024.


A nova legislação permite que clubes de futebol se transformem em sociedades empresárias, “profissionalizando” a gestão e facilitando a captação de investimentos por meio de mecanismos como emissão de ações e governança corporativa. A lei também oferece um regime tributário simplificado e alternativas para renegociação de dívidas, como parcelamentos e recuperação judicial (que é o caso do Joinville, lembremos), além de criar o Fundo de Garantia do Futebol (FGF).


Há, no entanto, desafios, como o risco de perda de identidade dos clubes que eventualmente seguem por este caminho, além de a maior concentração de poder nas mãos de investidores (e, por isso, menor poder para os sócios e conselheiros). Sinto que não temos regulamentações adicionais para garantir equilíbrio entre os interesses esportivos e comunitários que cercam o clube e os seus interesses financeiros.


É verdade que a SAF representa uma oportunidade para o crescimento sustentável do futebol brasileiro - que de fato esteve atolado de dívidas nos últimos anos - mas exige atenção para evitar que uma paixão nacional, como o futebol, perca sua essência e seu espaço cativo no coração da nossa gente.


Todos esses parênteses acima foram necessários para garantir uma explicação prévia do que discutimos aqui quando falamos de SAF.


O que circula na mídia há uns dias é que a diretoria do Joinville tem “pressa” para conseguir transformar o clube nessa nova modalidade, especialmente depois de perder o patrocinador master do clube às vésperas da estreia no Catarinense, mesmo tendo conseguido repor o patrocínio (em que pese que os dois novos apoiadores master somados não consigam chegar ao valor do acordo anterior). É uma solução que parece mais fácil mesmo. Ainda mais com os relatos da mesma diretoria de que já há conversas em andamento com investidores há uns meses - e desde a gestão anterior já há uma comissão ou grupo de trabalho tratando do tema.


O perigo, para além do mérito das potenciais perdas (cito identidade, por exemplo, para não entrar na discussão aqui) que uma SAF poderia vir a trazer ao clube, é que uma transição ‘rápida’ ocasionada por uma urgência criada pode vir a trazer uma série de erros no processo. Ou não lembramos aqui de quando a Recuperação Judicial foi anunciada pelo ex-presidente Fischer deixando todo mundo confuso, assustado e inseguro? Por sorte, a atual diretoria teve competência para lidar com o processo - e, ainda assim, foi por pouco.


Tudo isso, tricolores e tricolôras, para dizer que é absolutamente preocupante que uma transformação em SAF seja feita sem o devido tempo para o debate entre conselheiros, sócios e toda a comunidade. O mérito, de novo, deixamos para outro momento - se a diretoria entender que precisamos realmente amadurecer esse tema.


O Joinville é muito maior que a diretoria de hoje, de ontem ou de amanhã. Então é fundamental envolver a comunidade em qualquer discussão que transforme o clube em uma dimensão tão grande. Esperamos que o presidente Darthanhan tenha esse entendimento e que possa dar tempo ao tempo. Como o dirigente sempre se mostrou favorável e adepto do diálogo, acredito que não teremos maiores problemas.


A garantia de investimento não é mais importante que proteger a história, o presente e o futuro de um clube como o Joinville.


Guilherme Luiz

 
 
 

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